terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Declaração de amor às bolachas

Não, eu não virei lésbica. Não é a esse tipo de bolacha que me refiro, e nem àquele que vem com recheio de chocolate ou morango. Estou falando é de elepês, minha nova paixão. Descobri que havia uma vitrola mofando em um armário em casa e pedi para o meu pai instalar no meu quarto. E nem foi por essa coisa de romantismo, de aura, nem nada, e sim por motivos práticos: certas coisas simplesmente são impossíveis de achar em MP3 para baixar e, quando existem em CDs, estes são caros. Além disso, nada mais gostoso do que passar uma tarde fuçando sebos atrás de raridades bolachudas. E assim fiz um downgrade na minha maneira de consumir música.
Hoje fui à Baratos Afins e comprei umas bolachas, uma delas o disco de estréia do Grupo Rumo. Cheguei em casa, tirei o bichinho da capa, botei pra ouvir e fui olhar o encarte. Além das letras das músicas, havia uma resenha feita pelo Maurício Kubrusli recortada e colada (literalmente) sobre o papel. Já achei estranho. Mas, mais embaixo estava a coisa realmente bizarra (no bom sentido): do crédito dizendo “Na: voz” saia uma seta feita de canetinha verde. Essa flecha apontava para uma folhinha de agenda colada com a seguinte dedicatória: “Amílcar, “aquele abraço”! Feliz 85! NA” e mais embaixo “Conseguido no Carrefour (V. Maria), dia 28.12.84 +- 19:30 Hs”. Ou seja: aquele elepê tinha sido comprado pela Na Ozzetti no Carrefour no fim de 84, dado de presente para um tal de Amílcar, que, sabe-se lá por que, se desfez do bolachão, até que este veio parar nas mãos desta que vos escreve 23 anos depois!
Repito: não sou dessas que acha que “ah, no tempo dos discos que era bom, o CD fodeu com tudo e a internet mais ainda...”. Não. Adoro poder baixar zilhões de coisas sem pagar nada (até porque eu não teria dinheiro mesmo pra comprar tudo o que eu baixo), mas olhando aquela dedicatória, aqueles papéis colados, me caiu a ficha: caralho! Há vida nesse troço! Bolachas são quase como gente: nascem, são amadas, esquecidas, machucadas. Você pode abraça-las, mas é preciso cuidar, proteger do sol, colocar a agulha com carinho... como se deve fazer com as pessoas de que se gosta.
Eu amo minhas bolachas!!

PS.: Falando em bolachas e amor, uma das minhas melhores aquisições até agora foi o disco “Pássaros na Garganta”, da Tetê Espíndola. Quanto mais eu ouço, mais eu percebo como ela é fodástica. Quem só conhece “Escrito nas estrelas” e está torcendo o nariz não sabe o que está perdendo...

Um comentário:

aurora experimental disse...

o chiado que faz quando o vinil tá tocando é quase tão legal quanto as músicas do lp.