Não, eu não virei lésbica. Não é a esse tipo de bolacha que me refiro, e nem àquele que vem com recheio de chocolate ou morango. Estou falando é de elepês, minha nova paixão. Descobri que havia uma vitrola mofando em um armário em casa e pedi para o meu pai instalar no meu quarto. E nem foi por essa coisa de romantismo, de aura, nem nada, e sim por motivos práticos: certas coisas simplesmente são impossíveis de achar em MP3 para baixar e, quando existem em CDs, estes são caros. Além disso, nada mais gostoso do que passar uma tarde fuçando sebos atrás de raridades bolachudas. E assim fiz um downgrade na minha maneira de consumir música.
Hoje fui à Baratos Afins e comprei umas bolachas, uma delas o disco de estréia do Grupo Rumo. Cheguei em casa, tirei o bichinho da capa, botei pra ouvir e fui olhar o encarte. Além das letras das músicas, havia uma resenha feita pelo Maurício Kubrusli recortada e colada (literalmente) sobre o papel. Já achei estranho. Mas, mais embaixo estava a coisa realmente bizarra (no bom sentido): do crédito dizendo “Na: voz” saia uma seta feita de canetinha verde. Essa flecha apontava para uma folhinha de agenda colada com a seguinte dedicatória: “Amílcar, “aquele abraço”! Feliz 85! NA” e mais embaixo “Conseguido no Carrefour (V. Maria), dia 28.12.84 +- 19:30 Hs”. Ou seja: aquele elepê tinha sido comprado pela Na Ozzetti no Carrefour no fim de 84, dado de presente para um tal de Amílcar, que, sabe-se lá por que, se desfez do bolachão, até que este veio parar nas mãos desta que vos escreve 23 anos depois!
Repito: não sou dessas que acha que “ah, no tempo dos discos que era bom, o CD fodeu com tudo e a internet mais ainda...”. Não. Adoro poder baixar zilhões de coisas sem pagar nada (até porque eu não teria dinheiro mesmo pra comprar tudo o que eu baixo), mas olhando aquela dedicatória, aqueles papéis colados, me caiu a ficha: caralho! Há vida nesse troço! Bolachas são quase como gente: nascem, são amadas, esquecidas, machucadas. Você pode abraça-las, mas é preciso cuidar, proteger do sol, colocar a agulha com carinho... como se deve fazer com as pessoas de que se gosta.
Eu amo minhas bolachas!!
PS.: Falando em bolachas e amor, uma das minhas melhores aquisições até agora foi o disco “Pássaros na Garganta”, da Tetê Espíndola. Quanto mais eu ouço, mais eu percebo como ela é fodástica. Quem só conhece “Escrito nas estrelas” e está torcendo o nariz não sabe o que está perdendo...
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Meu primeiro upload

Aconteceu ontem. Depois de passar uns dois meses esperando o meu Emule que está uma mula mesmo de tão lento baixar "Here come the warm jets", o disco finalmente chegou. Tomada pela alegria e por um sentimento nobilíssimo de autruísmo resolvi compartilhar minha preciosidade ilegal pelo Rapidshare (pelo qual é possível baixar um CD em 10 minutos). Já divulguei o endereço pra download na comunidade discografias do orkut e agora divulgo aqui.
Ah, pra quem não sabe, "Here come the warm jets" é o disco de estréia do Brian Eno, e contém as clássicas "Needle in the camel's eye" e "Baby's on fire". Recomendadésimo, apesar da qualidade do áudio não estar lá essas coisas.
domingo, 18 de novembro de 2007
Um homem aos meus pés
Era fevereiro, fazia calor e eu estava de havaianas na praça Benedito Calixto esperando um entrevistado chegar quando um cara com dois maços de cigarro parou do meu lado, olhou os meus pés e perguntou:
- Quanto você calça?
- 36...
- Posso ver o seu pé sem a sandália?
- Ahn?!
- Posso ver o seu pé sem a sandália?
- Não!
- Por que não, qual o problema?
- Não, cara!
- Ai, ta bom... mas não tem nada de mais.
Um podófilo. No meio da rua. Meus dedos tortos e batatudos nunca imaginaram que levariam uma cantada...
- Quanto você calça?
- 36...
- Posso ver o seu pé sem a sandália?
- Ahn?!
- Posso ver o seu pé sem a sandália?
- Não!
- Por que não, qual o problema?
- Não, cara!
- Ai, ta bom... mas não tem nada de mais.
Um podófilo. No meio da rua. Meus dedos tortos e batatudos nunca imaginaram que levariam uma cantada...
A Prostituta Vidente
Boteco da Matias Aires, umas onze da noite. Bebendo cerveja numa mesa da calçada com duas amigas. Me levanto para pedir a conta pro “garçom”. Nessas, uma prostituta que estava sentada no balcão, jogando sei lá o que com uns caras, me chama:
- Ei, você fuma?
- Você quer um isqueiro?
- Queria um cigarro... você tem?
- Claro.
Tiro um Carlton mentolado da bolsa.
- Hum... desse eu gosto, que chique. Você é muito elegante.
Constrangimento. Ela prossegue:
- Depois que eu acender o cigarro, quero te dizer uma coisa.
Constrangimento elevado ao cubo. Isqueiro, isqueiro, cadê o isqueiro? Remexo a bolsa feito um liquidificador até o maldito aparecer. Entrego na mão dela. Ela acende e diz “vem cá” com cara de quem quer me agarrar. Medo. Tento escapar com um “melhor não”, mas a puta (no sentido literal e não pejorativo) me convence com um “não vou fazer nada, só quero te falar uma coisa”. Eu vou. Ela me pega pela cintura e lança a seguinte profecia:
- Os seus inimigos pisam em você, mas você não desce do salto. O que é seu é seu.
Usando a (não tão) boa e velha lógica cartesiana, analisemos por partes:
“Os seus inimigos pisam em você”: poxa, nem sabia que tinha inimigos. Tudo bem que devem ter várias pessoas que não vão com a minha cara assim como eu não vou com a cara de 98% do mundo, mas “inimigos” pegou pesado. E ainda por cima eles pisam em mim! Será que estou fazendo parte de uma orgia sadomasoquista psicológica com algum pseudo-amigo e nem me toquei?
“mas você não desce do salto”: mas é claro! Pra cair da vertiginosa altura de 3 milímetros do meu All Star só se eu estiver muito mal mesmo. E, como até bem pouco tempo, eu nem sabia que possuía inimigos, minha vida era boa (boa não, vai, mas pelo menos “enemy-free”)
“O que é seu é seu”: verdade. Os discos que baixei ilegalmente pela internet são meus, a calcinha que estou usando é minha, os cabelos que tenho na cabeça são meus e o RG de número 35258390-3 é meuzinho e de mais ninguém.
Na boa, inimigos, o que vocês tanto cobiçam em mim???
- Ei, você fuma?
- Você quer um isqueiro?
- Queria um cigarro... você tem?
- Claro.
Tiro um Carlton mentolado da bolsa.
- Hum... desse eu gosto, que chique. Você é muito elegante.
Constrangimento. Ela prossegue:
- Depois que eu acender o cigarro, quero te dizer uma coisa.
Constrangimento elevado ao cubo. Isqueiro, isqueiro, cadê o isqueiro? Remexo a bolsa feito um liquidificador até o maldito aparecer. Entrego na mão dela. Ela acende e diz “vem cá” com cara de quem quer me agarrar. Medo. Tento escapar com um “melhor não”, mas a puta (no sentido literal e não pejorativo) me convence com um “não vou fazer nada, só quero te falar uma coisa”. Eu vou. Ela me pega pela cintura e lança a seguinte profecia:
- Os seus inimigos pisam em você, mas você não desce do salto. O que é seu é seu.
Usando a (não tão) boa e velha lógica cartesiana, analisemos por partes:
“Os seus inimigos pisam em você”: poxa, nem sabia que tinha inimigos. Tudo bem que devem ter várias pessoas que não vão com a minha cara assim como eu não vou com a cara de 98% do mundo, mas “inimigos” pegou pesado. E ainda por cima eles pisam em mim! Será que estou fazendo parte de uma orgia sadomasoquista psicológica com algum pseudo-amigo e nem me toquei?
“mas você não desce do salto”: mas é claro! Pra cair da vertiginosa altura de 3 milímetros do meu All Star só se eu estiver muito mal mesmo. E, como até bem pouco tempo, eu nem sabia que possuía inimigos, minha vida era boa (boa não, vai, mas pelo menos “enemy-free”)
“O que é seu é seu”: verdade. Os discos que baixei ilegalmente pela internet são meus, a calcinha que estou usando é minha, os cabelos que tenho na cabeça são meus e o RG de número 35258390-3 é meuzinho e de mais ninguém.
Na boa, inimigos, o que vocês tanto cobiçam em mim???
Agora vai
Eis que ele nasceu, meu blog.
Sua rápida história: faz um bom tempo que minhas energias literárias foram para o buraco. Conto? Nem lembro mais o que é isso. Poema? Às vezes, muito raramente, sai algum, mas quase tão ruim quanto algo escrito pela Lya Luft. Haicais? Até pra escrever três linhas ando com preguiça... Estava desolada com o fato de que passaria o resto da minha existência criando títulos, olhos e matérias sobre encontros de fãs de Tolkien, até que me veio uma idéia: por que não começar a passar pro papel (quer dizer, pra tela do computador) pequenas situações bizarras que acontecem comigo? Não são histórias mirabolantes, mas colocam um pouco de humor no meu dia e nos dos meus amigos, quando conto pra eles fazendo caras e bocas e sotaques. Aproveitando o espaço, me dou ao direito de pequenas egotrips, comentários inúteis sobre a cultura pop ou qualquer outra coisa que me der na telha.
Caso seus sacos fiquem cheios, basta gritar "Vaidescermotorista"!!!
Sua rápida história: faz um bom tempo que minhas energias literárias foram para o buraco. Conto? Nem lembro mais o que é isso. Poema? Às vezes, muito raramente, sai algum, mas quase tão ruim quanto algo escrito pela Lya Luft. Haicais? Até pra escrever três linhas ando com preguiça... Estava desolada com o fato de que passaria o resto da minha existência criando títulos, olhos e matérias sobre encontros de fãs de Tolkien, até que me veio uma idéia: por que não começar a passar pro papel (quer dizer, pra tela do computador) pequenas situações bizarras que acontecem comigo? Não são histórias mirabolantes, mas colocam um pouco de humor no meu dia e nos dos meus amigos, quando conto pra eles fazendo caras e bocas e sotaques. Aproveitando o espaço, me dou ao direito de pequenas egotrips, comentários inúteis sobre a cultura pop ou qualquer outra coisa que me der na telha.
Caso seus sacos fiquem cheios, basta gritar "Vaidescermotorista"!!!
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